Deputado acredita em avanços na negociação do salário mínimo

O presidente da Força Sindical e líder do PDT na Câmara, deputado Paulo Pereira da Silva (SP), disse que acredita em avanços na negociação sobre o salário mínimo até meados de dezembro, apesar de ainda não ter percebido muita disposição dos ministros em aumentar a proposta original, que prevê o novo mínimo em torno de R$ 540.

"Como nós sabemos que negociação com o governo é assim mesmo - e foi a primeira reunião oficial que tivemos com o governo -, então, achamos que está dentro do calendário", disse Paulo Pereira. "Nós precisamos ter cautela, calma e manter a nossa posição dos R$ 580 para o salário mínimo e do aumento das aposentadorias."

Nesta quinta-feira, os ministros do Planejamento, Paulo Bernardo, e da Previdência Social, Carlos Gabas, se reuniram com representantes de seis centrais sindicais, em São Paulo. O encontro serviu para que os sindicalistas formalizassem suas principais demandas em torno do Orçamento da União para 2011, que está em discussão no Congresso. Segundo cálculos do Planejamento, cada real a mais no salário mínimo gera impacto orçamentário de R$ 286 milhões.

Imposto de Renda

Segundo Paulo Pereira da Silva, os sindicalistas também pediram a correção na tabela do Imposto de Renda em 2011. "Em relação à correção da tabela do Imposto de Renda, o acordo que tínhamos com o governo era de quatro anos e esse acordo vence agora. Portanto, no ano que vem, não tem correção da tabela do Imposto de Renda. Queremos corrigir a tabela do Imposto de Renda de acordo com a inflação, para, pelo menos, permitir que as pessoas não paguem mais imposto."

Os sindicalistas voltarão a se encontrar com o governo na próxima semana, em uma reunião ampliada que também contará com as presenças dos ministros do Trabalho, Carlos Lupi, e da secretário-geral da Presidência da República, Luiz Dulci.

Mal-entendido

Em Brasília, o relator-geral do Orçamento 2011, senador Gim Argello (PTB-DF), atribuiu a um mal-entendido a informação divulgada na imprensa sobre a possibilidade de elevar o salário mínimo para R$ 570. Segundo ele, tudo não passou de uma interpretação equivocada de uma troca de comentários entre ele e a senadora Ideli Salvatti (PT-SC), durante a última reunião fechada do Conselho Político da Presidência. "Foi uma informação que saiu de vazamento. Eu estava citando um exemplo. Para mim, quanto maior o salário mínimo melhor, mas, dentro da minha realidade, eu pude chegar a R$ 540."

Gim Argello disse que há boa vontade do governo em elevar o salário mínimo, mas ressaltou que ainda é preciso um pouco de paciência até que se chegue ao valor possível. "Dentro dos números que temos hoje, para qualquer aumento tem que se fazer algum corte. O governo está muito acessível, tanto é que, nesses últimos anos, o salário mínimo subiu 60% a mais do que a inflação, quer dizer, aumento real. Então, o governo tem o interesse de subir o salário mínimo. Mas eles estão procurando o formato disso e eu torço para que possa subir um pouquinho."