Aposentados vão custar 26% do PIB brasileiro em 2050

A redução da taxa de fecundidade somada à longevidade maior da população mundial está fazendo economistas alertarem para a necessidade de reformas previdenciárias urgentes no mundo todo.

Estudo feito pela Standard & Poor's estima que, em 2050, os gastos totais relacionados ao envelhecimento da população terão aumentado dos atuais 14,2% do Produto Interno Bruto (PIB) global para 22%.

No Brasil, o custo  poderá saltar de 13,6% para 25,9% do PIB se nada for feito.

As estimativas foram feitas com base em um estudo da Organização das Nações Unidas (ONU). A previsão da ONU é que o total de pessoas com mais de 60 anos duplicará de 245 milhões, contabilizados em 2005, para 839 milhões nos próximos 40 anos.

Os números partem do pressuposto de que as taxas de fecundidade continuarão a cair nos países em desenvolvimento e ficarão em torno de 2,05 filhos por mulher, contra os atuais 2,75. Em países ainda menos avançados, a redução seria de 4,63 filhos por mulher para apenas 2,50, em igual comparação.

Brasil deveria apressar reforma

O analista da S&P Marko Mrsnik, um dos responsáveis pelo relatório, diz que o Brasil deveria aproveitar sua situação econômica relativamente tranquila para fazer as reformas da previdência.

Ucrânia, Rússia, Brasil e Romênia, segundo o estudo, deverão ter os maiores gastos com pagamento de pensões em 40 anos, devido ao fato de não terem reformado seus sistemas.

A estimativa é que o Brasil hoje gaste 13,6% do PIB com pagamento de pensões. Em 2050, essa fatia poderá abocanhar 15,8% do crescimento, acima da média geral de 49 países (10,3%), das economias avançadas (12,2%) e dos países da América Latina (8,6%), só para exemplificar.

"É sempre pior fazer reformas em momentos de crise, como a Grécia e Portugal estão fazendo agora. Mas países como Itália, por exemplo, já vinham implementando mudanças graduais e agora enfrentam a crise com maior facilidade", diz.

Autor do livro "Demografia, a ameaça invisível", o Economista Paulo Tafner diz que o Brasil precisa elevar a idade mínima da aposentadoria para 65 anos, e aumentar o período de contribuição.

Ele defende ainda o fim do reajuste das aposentadorias pelo Salário Mínimo e o acúmulo de benefícios. As mudanças valeriam para novos entrantes, com regras de transição para quem já contribui para a previdência.

"Os gastos totais com previdência, nas minhas contas, estão em 11,2% do PIB (sem contar gastos de saúde). Se fizermos as reformas, em vez de subirem para 15% em 2050, iriam para 12,5%. Depois, os ganhos seriam de 2,5% do PIB ao ano, com o sistema inteiro convergindo para um regime único no INSS", defende.