A forte Expansão dos Investimentos vai alavancar um crescimento maior da atividade e também contribuir para que a nova trajetória de alta dos juros seja breve e menos intensa. Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Banco Central (BC) deve parar de elevar a Taxa Básica Selic em setembro.
- Os empresários retomaram seus projetos de Investimentos ainda no ano passado, quando viram que a crise mundial não duraria por aqui. Esses Investimentos maturaram e novos estão sendo implementados, gerando expectativas de sustentabilidade para o Crescimento econômico - avalia o economista-chefe da CNI, Flávio Castelo Branco.
Em revisão divulgada nesta quinta-feira, a CNI elevou de 18% para 24,5%, a previsão de crescimento dos Investimentos no ano, o que deverá levar a taxa da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) a 19,4% do Produto Interno Bruto (PIB) - bem próximo à média de 20% do PIB dos anos 1970. É com base nesse novo cenário de ampliação da capacidade produtiva que a CNI aumentou de 6% para 7,2%, sua projeção para a alta real do PIB em 2010 sobre 2009.
Castelo Branco destacou que o ritmo dos Investimentos este ano está beirando o de 2008, quando a Economia brasileira registrava forte dinamismo, até ser parcialmente brecado pela crise. E explica que os Investimentos estão ampliando o parque fabril e gerando um aumento no uso da Capacidade Instalada (UCI), fundamental para garantir a Oferta e reduzir descompasso em relação à demanda. Na quarta-feira, no Relatório Trimestral de Inflação, o BC destacou que há preocupação com esse descompasso, "no curto prazo".
O Economista da CNI disse que a UCI está com uma média de 83%, "mesmo nível mantido por vários meses em 2007 e 2008". Segundo ele, isso mostra a maturação dos investimentos, e abre caminho para que o Comitê de Política monetária (Copom) do BC comece a recuar na elevação da Selic.
- Há outros fatores, como o recuo nas projeções de inflação, impactos da Selic no crédito de curto prazo, que começa a desacelerar, entre outros, que podem colocar freios no Aquecimento excessivo da Demanda interna - justificou Castelo Branco.
A CNI projeta a Selic em 11,5% ao fim do ano, uma situação fiscal acomodada no segundo semestre por redução de gastos do governo, e queda na relação da dívida liquida do setor público com o PIB para 40,9%.
Do lado externo, a entidade vê aumento nas importações para US$ 180 bilhões, mas vendas externas superiores, em US$ 190 bilhões, gerando superávit comercial de US$ 10 bilhões.