BC eleva taxa básica de juros para 9,5% ao ano

Copom decidiu ontem aumentar a selic em 0,75 ponto porcentual. Última elevação havia ocorrido em setembro de 2008, há 19 meses.

Brasília - Em meio ao forte ritmo da economia brasileira, que desencadeou uma pressão sobre a inflação, e ao estouro da crise fiscal europeia, o Banco Central (BC) deu início ontem a um novo ciclo de aperto monetário no País, ao elevar a taxa básica de juros (Selic) em 0,75 ponto porcentual, para 9,5% ao ano.

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) foi unânime e, apesar de uma parte do mercado projetar alta de 0,5 ponto, ficou dentro do esperado. A Selic não subia há 19 meses. Para os economistas, o movimento de alta vai continuar nos próximos encontros do BC, pelo menos até o fim do ano. Pela pesquisa semanal Focus, feita junto ao mercado pelo BC, os economistas preveem a Selic a 11,75% em dezembro, voltando a cair somente em 2011.

"Dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias ao cenário prospectivo da economia, para assegurar a convergência da inflação à trajetória de metas, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 9,50% ao ano, sem viés", diz o comunicado emitido ontem após o encontro, que durou três horas.

Com a alta, a taxa real brasileira passa a 4,2% ao ano, mantendo a primeira colocação entre os países com as maiores taxas do mundo. O segundo lugar é ocupado pela Indonésia, com taxa real de 3%, seguida pela China, com 2,8%.

A última vez que o BC elevara a Selic tinha sido em setembro de 2008, de 13% para 13,25%, patamar que começou a ser reduzido em janeiro do ano passado, no auge da crise internacional. Em julho de 2009, a taxa atingiu seu menor patamar, de 8,75%, que perdurou até ontem.

"A atividade econômica está de fato mais forte e o BC já havia antecipado desconforto com isso", afirmou ontem a economista-chefe do ING, Zeina Latif.

Muitos avaliam que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no País) neste ano, projetado pelo mercado atualmente a 6%, está acima do potencial brasileiro de expandir-se sem gerar distorções, que seria entre 4% e 5% ao ano.

Quando isso ocorre, a demanda (consumo) cresce acima da capacidade de oferta de bens da indústria e de importação da economia, favorecendo aumentos de preços. Ao elevar os juros, o Banco Central inibe o consumo porque encarece o crédito. A previsão para o IPCA (inflação oficial) já chega a 5,41% em 2010 e 4,80% em 2011, números acima do centro da meta do governo, de 4,5%. (AG)