Dentro do Banco Central (BC), a avaliação é que a Tendência cadente dos juros é consistente. No início do governo Lula, em 2003, a Selic estava em 26,5% ao ano e, em 2009, bateu seu piso recorde de 8,75%.
Ou seja: a curva de Longo prazo da Selic é claramente de queda.
Uma saída para manter a trajetória, avalia parte da equipe econômica, seria reduzir a médio e longo prazos as metas de Inflação - de 4,5% em 2010 e 2011, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos -, patamar considerado alto por agentes econômicos. O objetivo seria ancorar as expectativas de Inflação num nível cada vez mais baixo. Com isso, a Tendência seria os preços serem mais facilmente controlados, ampliando o espaço para cortes da Selic.
Outra causa dos juros altos é que uma boa parcela do crédito concedido no país tem juros subsidiados. Segundo fontes do governo, isso ajuda a manter o juros elevados. É o caso, por exemplo, dos financiamentos do BNDES ou do crédito agrícola e habitacional.
Isso dá fôlego para que o setor produtivo invista mais e amplie sua capacidade de oferta, mas também aquece a demanda.
- O subsídio tem um custo fiscal e isso também ajuda a brecar reduções na Selic - afirmou um importante membro da equipe econômica. (Martha Beck e Patrícia Duarte)