Novo IOF vai arrecadar R$ 4 bilhões ao ano

O coordenador de Estudos da Receita Federal, Jefferson Rodrigues, informou ontem que, no cenário mais provável realizado pela Receita Federal, a taxação de 2% de IOF sobre a entrada de Capital estrangeiro em Renda Fixa e bolsa deve gerar um aumento na arrecadação de R$ 4 bilhões por ano. Segundo ele, a Receita elaborou quatro cenários, considerando a hipótese de haver uma redução mais substancial do ingresso de capitais até a possibilidade de a medida ter um efeito quase nulo no ingresso de dólares no País. No entanto, a Receita não divulgou todos esses cenários.

Rodrigues disse que, no cenário mais provável, a Receita dessazonalizou a série dos últimos 12 meses e retirou as recentes aberturas de Capital em valores muito altos, que distorcem a série e não necessariamente devem se repetir nos demais anos. Rodrigues avaliou que, pela média móvel dos últimos 12 meses, a Receita projetou um fluxo de entrada de capitais estrangeiros de US$ 12 bilhões a US$ 13 bilhões por mês. Com base nessa estimativa, a projeção é de um aumento na arrecadação do IOF de R$ 4 bilhões por ano. Para 2009, Rodrigues estimou uma arrecadação a mais de R$ 326 milhões por mês.

O subsecretário substituto de Contencioso e Tributação da Receita, Fernando Mombelli, destacou que a estimativa da Receita prevê uma redução no fluxo de ingresso de recursos no País em torno de 20%, num período de 12 meses. O efeito na arrecadação, este ano, ocorrerá a partir de novembro, já que a apuração é decendial, ou seja, os últimos dez dias de outubro já entram na arrecadação de novembro. A Receita fez questão de destacar que, em nenhum momento, participou da definição da alíquota de 2%. Segundo Mombelli, a alíquota foi dimensionada pela área econômica e com o objetivo regulatório para diminuir o ingresso de Capital especulativo no Brasil.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem que a taxação não envolve uma preocupação com a arrecadação. "Este é um imposto regulatório e não arrecadatório", afirmou Mantega, sem revelar qual será o impacto da medida na arrecadação. O reiterou que o objetivo do governo com a taxação do Capital externo foi equilibrar a entrada de recursos estrangeiros na Economia brasileira e evitar excessos de modo a não causar uma bolha na bolsa, nem uma sobrevalorização do real. Segundo ele, o real em alta pode causar danos para a Produção brasileira. "Daqui a pouco vamos estar importando tudo e não exportando nada e lá se vão os empregos brasileiros para fora", reiterou. Mantega disse acreditar que a decisão vai surtir o efeito desejado, mas que é preciso esperar um tempo para avaliar. "De qualquer maneira, colocamos uma espécie de pedágio para a entrada excessiva", afirmou o ministro.

Segundo ele, esse pedágio deve atenuar a entrada excessiva de recursos estrangeiros e a sobrevalorização do real. Ele ponderou, no entanto, que a medida não evitará que o real fique valorizado porque essa valorização, de acordo com o ministro, reflete a força da Economia brasileira. "O Brasil hoje é uma Economia forte e, portanto, a Moeda também é forte, mas ficar forte demais estraga e acaba enfraquecendo o País porque acaba com a atividade produtiva", afirmou. Mantega insistiu que a medida deve alcançar o resultado esperado.