Produção global é a mais baixa desde 2009

NOVA YORK - A produção industrial global teve no terceiro trimestre de 2012 o pior desempenho desde 2009, de acordo com um relatório divulgado nesta terça-feira, 4, pela ONU. A taxa de expansão foi de 2,2% ante o mesmo período do ano passado. A América Latina, puxada pelo Brasil, teve o pior desempenho entre os mercados emergentes, com alta de apenas 0,3%.

O fraco desempenho da indústria global é atribuído principalmente à crise na Europa, de acordo com o documento. Os problemas na zona do euro deprimem não só o crescimento da região, como também afetam países emergentes que exportam para o mercado europeu. Na Europa, a indústria só cresceu em alguns poucos países menores, como Áustria, Malta e Eslováquia.

A expectativa da ONU é que o fraca expansão industrial continue. Um dos indicadores, destaca o relatório, é que no terceiro trimestre ante o segundo, houve queda de 1,3% na indústria.

O crescimento da indústria mundial tem sido puxado pelos mercados emergentes, notadamente a China. No terceiro trimestre, a taxa de crescimento dos países em desenvolvimento foi de 6,6%, enquanto nas economias industrializadas houve queda de 0,3%. "Foi a primeira queda desde 2009", destaca o documento, puxada por países como Alemanha (-1,7%), Itália (-6,2%), França (-1,9%) e Japão (-4,6%). Os Estados Unidos foram a exceção, com alta de 4,1%.

A China foi a região do planeta onde a produção manufatureira mais cresceu, com expansão de 9,2%. O documento destaca, porém, que a análise mais recente, comparando o terceiro trimestre com o segundo, mostra queda de 3,6% da produção industrial chinesa.

Sobre o Brasil, o relatório menciona que o País teve no terceiro trimestre o terceiro período consecutivo de queda na indústria, sem citar a taxa. O recuo, destaca o documento, ocorre mesmo com as medidas do governo para estimular alguns segmentos industriais. "Máquinas e equipamentos, motores e veículos tiveram declínios claros no terceiro trimestre", aponta o relatório.

A exceção na América Latina ficou com países como Peru, México e Chile, que tiveram alta na produção da industrial, alguns acima de 4%. Além do Brasil, Argentina e Colômbia tiveram recuo. O relatório sobre produção manufatureira foi feito pela Unido, uma organização da ONU responsável pelo desenvolvimento industrial.

OCDE. A taxa anual de inflação nas economias desenvolvidas subiu pelo terceiro mês seguido em outubro, puxada pelo avanço dos preços da energia, segundo a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). O dado pode reduzir o escopo para os bancos centrais implementarem medidas de estímulo adicionais.

Os preços ao consumidor nos 34 países membros da OCDE subiram 2,3% nos 12 meses até outubro, um aumento maior do que o de 2,2% registrado nos 12 meses até setembro. Também houve aceleração da inflação em algumas economias em desenvolvimento, como o Brasil - que não é membro da OCDE -, onde a taxa passou para 5,4%, de 5,3%.

Entre os membros da organização, a inflação foi mais alta na Turquia, onde os preços subiram 7,8% nos 12 meses até outubro. Por outro lado, no Japão os preços caíram 0,4% e na Suíça recuaram 0,2%. Nos EUA a inflação se acelerou para 2,2%, de 2,0% nos 12 meses até setembro, e na zona do euro houve desaceleração para 2,5%, de 2,6%.

Os preços da energia entre os membros da OCDE aumentaram 5,4% nos 12 meses até outubro, depois de subirem 5,1% nos 12 meses até setembro, enquanto os preços dos alimentos aumentaram 2,2%, em seguida à alta anual de 2,1% em setembro.

Fora da OCDE, além do Brasil, a inflação também ganhou força na Índia, passando de 9,1% em setembro para 9,6% em outubro.