Inovações criam novos arranjos estruturais no mercado de trabalho, afirma analista

Apesar de se tratar de um assunto recorrente, a inovação tecnológica no ambiente de trabalho ainda causa receio em muitas pessoas que temem perder o emprego ou serem substituídos por máquinas. A Fundação Jorge Duprat Figueiredo, de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro), entidade de pesquisa ligada ao Ministério do Trabalho, está atenta às modificações nas relações de trabalho causadas pela tecnologia.

Segundo o analista de Ciências e Tecnologia da Fundacentro e doutor em comunicação e semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP) Mauro Laruccia, os avanços tecnológicos não reduzem postos de trabalho, mas criam novos arranjos estruturais – com, por exemplo, mudanças nos processos produtivos e organizacionais para tornar as empresas mais produtivas – que exigem maior competência e qualificação.

“Todo profissional, independentemente da sua profissão, precisa de novas ferramentas de trabalho e recursos materiais e tecnológicos para não ficar obsoleto. Além disso, o trabalhador pode melhorar sua competência por meio de cursos online e gratuitos disponibilizados pelo governo, e que podem ser feitos pelo celular,” explica Laruccia.

Os avanços nas relações de trabalho são analisados pela Fundacentro de forma tripartite, observando tanto o ponto de vista dos trabalhadores como dos empregadores e governo. Laruccia defende que os empresários devem estimular a inovação e qualificação do trabalhador. “Os gerentes precisam ter competência para que as pessoas não façam sempre as mesmas atividades. É preciso ter um rodízio para que desenvolvam suas capacidades e habilidades humanas”, sugere.

Além de facilitar a qualificação profissional, a tecnologia permite descentralizar as estruturas organizacionais, o que possibilita o trabalho remoto, quando o empregado pode exercer sua atividade fora do local de trabalho. A regulamentação do trabalho remoto é uma das propostas de modernização da legislação trabalhista.